sexta-feira, 18 de março de 2011

América Pré-Colombiana

Era pré-colombiana


Muitas civilizações pré-colombianas estabeleceram características e marcas que incluiam assentamentos permanentes ou urbanos, agricultura, e arquitetura cívica e monumental e complexas hierarquias sociais. Algumas dessas civilizações já tinham desaparecido antes da primeira chegada permanente dos europeus (c. final do séc. XV - início do séc. XVI), e são conhecidas apenas através de pesquisas arqueológicas. Outras foram contemporâneas com este período e também são conhecidos através de relatos históricos da época. Algumas, como os maias, tinham seus próprios registros escritos. No entanto, a maioria dos europeus da época viam esses textos como heréticos e muitos foram destruidos em piras cristãs. Apenas alguns documentos secretos continuam intactos, deixando os historiadores modernos, com lampejos dessas culturas e conhecimentos antigos.
A era pré-colombiana incorpora todas as subdivisões períodicas na história e na pré-história das Américas, antes do aparecimento dos europeus no continente americano, abrangendo desde o povoamente original no Paleolítico Superior à colonização européia durante a Idade Moderna. Embora tecnicamente referindo-se a era antes de viagens de Cristovão Colombo em 1492-1504, na prática, o termo inclui geralmente a história das culturas indígenas americanas, até que serem conquistadas ou significativamente influenciadas pelos europeus, mesmo que isso tenha acontecido décadas ou mesmo séculos depois do desembarque inicial de Colombo.
O termo pré-colombiano é frequentemente utilizado especialmente no contexto das grandes civilizações indígenas das Américas, como as da Mesoamérica (os olmecas, os toltecas, os teotihuacanos, os zapotecas, os mixtecas, os astecas e os maias) e dos Andes (os incas, moches, chibchas, cañaris).
De acordo com contas e documentos dos indígenas americanos e dos europeus, as civilizações americanas no momento da colonização europeia possuiam muitas realizações impressionantes. Por exemplo, os astecasTenochtitlán, onde hoje está localizada a Cidade do México, com uma população estimada em 200.000 habitantes. Civilizações americanas também exibiam realizações impressionantes em astronomia e matemática. construíram uma das cidades mais impressionantes do mundo,
Onde esses povos persistiram, as sociedades e culturas que são descendentes dessas civilizações agora podem ser substancialmente diferentes na forma original. No entanto, muitos desses povos e seus descendentes ainda mantêm várias tradições e práticas que dizem respeito aos tempos antigos, mesmo que combinados com culturas que foram mais recentemente adotadas.

Mesoamérica

É uma região que engloba os atuais territórios do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras e Costa Rica.

 Os olmecas

Aproximadamente no ano 2000 a.C. fazem sua aparição os olmecas, o primeiro grande grupo cultural do México antigo, que assentou-se nas regiões de Veracruz e Tabasco, na zona do Golfo do México. Constituíam uma sociedade muito eficiente, bem organizada e governada por uma hierarquia religiosa. A sua influência foi muito intensa, já que grupos posteriores iriam adotar diferentes aspectos de suas tradições religiosas, arquitetônicas e artísticas. Apesar da total ausência de bancos de pedra por perto, os olmecas desenvolveram imponentes edificações com este material, como La Venta, São Lorenzo ou Três Zapotes. Criaram um calendário muito avançado que incluia o conceito de zero. Da origem dos olmecas sabe-se muito pouco, assim como de seu desaparecimento em torno do ano 1200 a.C..
Até o ano 1300 d.C., altura em que fazem a sua aparição os aztecas, desenvolveram-se e desapareceram numerosas culturas, como a maia, teotihuacana, zapoteca, mixteca, tarasca ou totonaca, para citar algumas. O monte Albán, no estado de Oaxaca, é o local arqueológico mais antigo, posterior aos olmecas.

Os maias


As origens dos célebres maias remontam ao redor do ano 1200 a.C. Esta cultura desenvolveu em três períodos distintos: o pré-clássico, o clássico e o pós-clássico (cada um correspondente a diferentes lugares do México e da América Central). Porém seria a partir do ano 250 d.C. que se inicia um período de progresso que vai até o ano 900 d.C., conhecido como período clássico.
Considerada como uma das civilizações mais avançadas do México pré-colombiano, os maias foram grandes artistas e intelectuais que dominaram um complexo sistema matemático, além de serem capazes de realizar difíceis cálculos astronômicos. A sua estrutura social era muito fechada e articulava-se em autonomias, governadas por sacerdotes. Mantiveram estreitas relações com Teotihuacán e Monte Albán, comerciando produtos como o sal, já que naqueles tempos Yucatán era o primeiro produtor deste mineral. Lá pelo ano 1400 d.C. a cultura Maia tinha disseminado e, quase desaparecido, deixando um incrível número de centros cerimoniais e cidades antigas.
Logo depois dos Maias vieram os Astecas e depois os Incas.

Os mixtecas e zapotecas

A sua aparição remonta ao ano 900 a.C., no vale de Oaxaca. Foram grandes artesãos e construtores, edificando importantes cidades e câmaras mortuárias além de desenhar e criar uma preciosa cerâmica e ourivesaria. Os mixtecos foram os que conquistaram os zapotecas, assentando-se perto de Mitla e Yagul. Reconstruíram Monte Albán, porém só para ser usado como cemitério. No começo do século XV, os mixtecas foram dominados pelos astecas. Estas duas culturas (mixteca e zapoteca) continuam existindo no Estado de Oaxaca, onde moram perto de dois milhões de indígenas descendentes daqueles grupos.

Teotihuacán e os toltecas


Teotihuacan, vista da via de entrada dos mortos a partir da pirâmide da Lua.
No ano 300 a C. estabelece-se a cultura teotihuacana no planalto central, fundando a maior cidade da Mesoamérica pré-colombiana: Teotihuacán, que significa "o lugar em que os homens fazem deuses" ou "o lugar dos deuses". Seu esplendor perdurou até que os toltecas, com capital em Tula, os dominaram. Foram estes os que introduziram o culto a Quetzalcóatl, a serpente de penas, o deus que tem seu coração no planeta Vênus e o deus que haveria de voltar pelo Leste. Quetzalcóatl aparece sob a forma de deus Kukulkán na cultura maia.
Os toltecas foram poderosos guerreiros que se estabeleceram nas mediações do norte do Vale de México, ao redor do ano 950 até 1300 d.C. Construíram Tula, uma das cidades mais espetaculares do México e, foram consumados artesãos que influíram fortemente nas culturas maia e asteca.

Os astecas

Conta a lenda que Huitzilopochtli, o deus da guerra, guiou os nahuais (que procediam de Aztlán, daí o nome de aztecas) até o lugar em que deveriam instalar-se. O macaco era uma águia sobre um cacto devorando uma cobra. Foi no lago de hungrh (atual Cidade de México) onde se encontraram com o sinal do multidoes, pelo que fundaram a cidade com o nome de Tenochtitlán.
Somente após um século, graças a estratégicas alianças com outros grupos, impuseram-se acima do resto dos grupos indígenas, inaugurando o Império Azteca, que permaneceria até à chegada dos espanhóis (1519). Os aztecas impuseram um sistema, onde as forças sociais tinham certa participação, utilizaram uma complexa estrutura impositiva e de vigilância, desenvolveram um sistema educativo exemplar e, segundo as testemunhas, não conheceram a corrupção. Foram além disso, excelentes construtores, seguindo as tendências de culturas anteriores (olmecas, toltecas, maias). Porém, o que mais surpreende desta cultura é a sua particular cosmo-visão da existência, articulada em uma profunda filosofia, que tinha sua base na própria imagem do mundo que construíram.

América do Sul

Incas

O Império Inca foi o maior império da América pré-colombiana. A Administração, Política e Centro de Forças Armadas do Império eram todos localizados em Cusco, no atual Peru. O Império surgiu nas terras altas do Peru em algum momento do século XIII. De 1438 até 1533, os Incas utilizaram vários métodos, da conquista militar a assimilação pacifica, para incorporar uma grande porção do oeste da América do Sul, centrado na Cordilheira dos Andes, incluindo grande parte do atual Equador e Peru, sul e oeste da Bolívia, noroeste da Argentina, norte do Chile e sul da Colômbia.


A CIDADE INCA É DESCOBERTA NO PERU
 
Arqueólogos afirmam que Machu Picchu fazia parte de um grande complexo

As ruínas de Machu Picchu faziam parte de um complexo muito maior, segundo a descoberta arqueológica de uma equipe anglo-americana patrocinada pelo Royal Geographical Society. O explorador britânico Hugh Thomson e o arqueólogo norte-americano Gary Ziegler disseram que até agora foram descobertos 33 edifícios previamente desconhecidos. Os pesquisadores também disseram que o explorador Hiram Bingham, o descobridor de Machu Picchu, havia mencionado a cidade, mas deixara apenas registros vagos sobre ela e que por isso ela permaneceu desconhecida até hoje. A descoberta só foi possível porque a equipe usou pela primeira vez uma máquina fotográfica infra-vermelho para tirar fotografias aéreas, o que permitiu aos pesquisadores "enxergar" o que há embaixo da cobertura florestal.

A nova área está a pouco mais de 3 km de Machu Picchu e abrange pouco mais de 1,5 km quadrados. Em um exame preliminar, as ruínas sugerem que o complexo era um grande centro religioso usado para cerimônias e observações astronômicas. Os edifícios incluem um grande armazém, um templo do Sol, assemelhando em vários aspectos ao grande templo do Sol na capital inca, Cuzco, e um observatório de dois pavimentos, para observação de solstícios e equinócios. A expedição também identificou oito praças e uma série de caminhos conectando as estruturas.

Os arqueólogos crêem que o complexo foi provavelmente construído pelo imperador inca Pachacuti, na metade do século XV. O complexo, conhecido como Llactapata, parece ter sido construído junto com Machu Picchu, como parte de um plano global. Os edifícios de Machu Picchu e Llactapata estão alinhados uns com os outros. Segundo Ziegler, enquanto a cidade de Machu Picchu, que possui cerca de 200 edifícios e quartos para 1200 pessoas, provavelmente serviu como residência de inverno para o inca e sua corte. Llactapata, por outro lado, parece ter sido um centro cerimonial por natureza. Para ele, "a descoberta é importante, pois pode alterar completamente nossa visão de Machu Picchu, já que agora temos Llactapata, um local próximo e relacionado."
Thomsom lembrou que os incas se refugiaram em várias cidades nas montanhas após à invasão espanhola e que algumas delas têm sido descobertas, mas que sem uma tecnologia que permita ver o que está sob a selva, será quase impossível descobri-las. No ano passado uma expedição achou outra cidade inca, Cota Coca, a cerca de 96 km a oeste de Cuzco. "O fato é que de dois em dois anos estamos encontrando novas cidades, o que significa que pode existir muitas outras lá fora" afirmou Thomson.

Os arqueólogos dizem que a descoberta reforça a necessidade de expandir os limites territoriais do Santuário Histórico de Machu Picchu para incluir e proteger uma área mais extensa. No momento as ruínas de Llactapata estão fora da proteção do Serviço Nacional de Parques do Peru e estão vulneráveis aos saqueadores.